
capa de Todas Manas
Fenda, 1983
[600 ex]
Idiota
Está a falar-vos o idiota
que descobriu o segrêdo dos lemingos
e foi ler Tzara para os templos de Angkor
Já me cansei dos relatos,
formais,
dos vadios de Tânger
(a loucura não é uma instituição)
A minha febre agora estala
as paredes da cidade,
os heróis cansaram-se de o ser.
O medo
continua a tomar anfetaminas
(Um carro da polícia parou à porta do hotel)
Catrapum!
Fujam rapazes!
...................................- ou não!
É QUE SOMOS FORA-DA-LEI!
- assumimos um sexo azul e bizarro,
temos substâncias proíbidas nas cuecas
e um túnel cavado até ao delírio.
ASSUMIMOS A NOSSA ESQUIZOFRENIA
sem recorrer à caridade -
somos os terríveis ASSASSINOS DO REAL!
Os chuis começam a subir;
atiro a televisão pela janela,
dispo-me,
rasgo o ventre,
ESTOU LÚCIDO
- «eles»
..................não me podem prender!
Nú no telhado,
A Bárbara está-se nas tintas,
continua a ouvir Eddie Cochrane.
Para quê fugir rapazes?
Somos transparentes
de uma loucura sem rotina,
divinamente idiota,
o olhar húmido apostado na noite,
no perigo.
Não, já nada importa;
o poeta acordou o lagarto.
(uma mosca, japonesa
........passeia-se na janela)
e demência agita a briza
nas árvores, nos cabelos
Já nada importa.