
Fenda, 1999
[2000 ex]
A dividida música do pensamento
escreve o nó desdobrado
até ao infinito, atravessando
olhos nulos
em brasa,
o grito
fincado em cima
supende-se, com a duna
finalmente situada,
para ele se arremessa, no novo,
consulta-o, de uma vez
por todas, cercado
por um fervor que galga,
a queimadura
ébria
do sinal de Caim na neve do bosque
jorrando a meia-voz a martelar na neve,
de súbito alumiada, es-
quadrilhada pelos sinos insistentes,
atrás do sabugueiro
sonolenta adormece.
O outro caminho dividido
alimenta a fonte
vaporosa.
[poema de Paul Celan, dedicado a Henry Michaux, traduzido por JG Ostermeyer e Júlio Henriques]